terça-feira, 8 de maio de 2012

Cada gole de whiskey que tomava queimava minha garganta. Cada gole me trazia lembranças. Lembranças de como você costumava se embriagar comigo sentado no chão frio e marrom da minha sala, todos as vezes que a solidão batia em nossa vida sem graça, digamos, todos os dias. Me lembro de teus olhos profundos, dilatando a cada dose. Teu sorriso inebriado, inalcançável. Teus lábios com gosto de bêbado tocando os meus suavemente, se distanciando cada vez mais, sumindo em cada suspiro. Suas mãos sem rumo na minha pele.  Mas hoje não te tenho mais. Hoje não tenho mais a honra de te ver estirado em minha sala na manhã seguinte de nossa farra, e sentir teu cheiro espalhado pela minha sala.

Você foi vazando e me deixou em cacos, como a louça que você quebrou, no dia em que dormiu pela primeira vez na minha casa. Estava cansado, zonzo, tinha passado a noite em clara junto a mim. Lembro que passávamos várias noites em que você me contava sobre como teu lugar preferido era a biblioteca e como a atendente morria de amores por você e o deixava ler os livros que ali se encontravam sem pagar nenhum. Sobre como se aventurava pulando o muro da escola para comprar alguns cigarros. Sobre como você achava meu sorriso torto o mais belo, e se afundava em meu pescoço para sentir meu cheiro de flor. 

Não sei como você conseguiu escapar pelos meus dedos fechados com tanta força, só sei que o seu suor ainda ficou pelos meus lençóis e me recuso a lava-los. Ando vasculhando as bibliotecas por ai, para ver se ainda encontro rastros teus. Rastros teus que já não se encontram mais no chão frio da minha sala.
Julia Machado



domingo, 11 de dezembro de 2011

Sente aqui, deixa eu lhe contar algo antes que este dia termine, e eu acabe enlouquecido, ainda mais ferido. Me dá está tua mão, anda, anda, porque esta vida de rotinas tão rápidas pode fazer meu coração parar numa outra hora, por simples delicadeza do acaso. Olha. Me olha nos olhos - tu não vê mais brilho, cor, afeto. Pra onde foi a minha vida menina, onde? Pra onde foi todas as minhas vontades? Em que coração se perderam, em que esquina foram deixadas?, Como minha alma ficou desta maneira: uma túnica feia, rasgada. Tão amarga… Me arrependo baixinho, de mais uma vez ter acordado, de outrora não ter desistido. De sentir estes sentimentos tão frágeis. Gostaria tanto menino, de trocá-los, tanto de voltar aos sentimentos ternos, fortes, leves que nem o vento que me batiam livremente, nos tempos da mocidade. Gostaria de voltar as velhas sensações infantis, sem tantas dores nas costas, sem tantos amores que me fecham as portas, sem toda esta rotina que me queima, maltrata, me tira a capacidade de sonhar, pintar, realizar. Gostaria de retornar a um colo de mãe, para aqueles velhos abraços que me preenchiam, que me amavam sem peso, sem compromisso. Quando mesmo menino, que eu me tornei esta coisa feia sem alma alguma? E me pergunto, por raios, por que a gente tinha que ter crescido? Por que mesmo que temos que continuar esta vida, de triste destino? Pra onde foi o meu encantamento, pra onde foram as vontades de não morrer, não sufocar, não afogar-me dentro de mim? Não sei, acho que tu nem sabes. Só gostaria de deixar claro que tentei sobreviver a estas tempestades e naufrágios, deixar claro que tentei. Tentei, juro que tentei, dei o meu melhor a todos os meus esforços. Tu agoras és testemunha, da minhas tentativas de dor, simplesmente por estar aqui, ter vivido. Quem diria que viver seria este tamanho risco! Quem diria que viver me faria sentir tão destruído, quem diria que viver nunca me daria estas sensação descritar como estar ”vivo”. Mas eu tentei menino. Juro. Juro que tentei
Igor Lopes
Sente aqui, deixa eu lhe contar algo antes que este dia termine, e eu acabe enlouquecido, ainda mais ferido. Me dá está tua mão, anda, anda, porque esta vida de rotinas tão rápidas pode fazer meu coração parar numa outra hora, por simples delicadeza do acaso. Olha. Me olha nos olhos - tu não vê mais brilho, cor, afeto. Pra onde foi a minha vida menina, onde? Pra onde foi todas as minhas vontades? Em que coração se perderam, em que esquina foram deixadas?, Como minha alma ficou desta maneira: uma túnica feia, rasgada. Tão amarga… Me arrependo baixinho, de mais uma vez ter acordado, de outrora não ter desistido. De sentir estes sentimentos tão frágeis. Gostaria tanto menino, de trocá-los, tanto de voltar aos sentimentos ternos, fortes, leves que nem o vento que me batiam livremente, nos tempos da mocidade. Gostaria de voltar as velhas sensações infantis, sem tantas dores nas costas, sem tantos amores que me fecham as portas, sem toda esta rotina que me queima, maltrata, me tira a capacidade de sonhar, pintar, realizar. Gostaria de retornar a um colo de mãe, para aqueles velhos abraços que me preenchiam, que me amavam sem peso, sem compromisso. Quando mesmo menino, que eu me tornei esta coisa feia sem alma alguma? E me pergunto, por raios, por que a gente tinha que ter crescido? Por que mesmo que temos que continuar esta vida, de triste destino? Pra onde foi o meu encantamento, pra onde foram as vontades de não morrer, não sufocar, não afogar-me dentro de mim? Não sei, acho que tu nem sabes. Só gostaria de deixar claro que tentei sobreviver a estas tempestades e naufrágios, deixar claro que tentei. Tentei, juro que tentei, dei o meu melhor a todos os meus esforços. Tu agoras és testemunha, da minhas tentativas de dor, simplesmente por estar aqui, ter vivido. Quem diria que viver seria este tamanho risco! Quem diria que viver me faria sentir tão destruído, quem diria que viver nunca me daria estas sensação descritar como estar ”vivo”. Mas eu tentei menino. Juro. Juro que tentei.
Igor Lopez.

domingo, 20 de novembro de 2011

Bom dia luz do dia

Bom dia, flores, acho que esse blog será feito de flores, café e cafunes. Vou expressar minhas opiniões de um jeito nunca expressado.